EcoEnergia aposta em créditos de carbono para aumentar rentabilidade

EcoEnergia aposta em créditos de carbono para aumentar rentabilidade

Iniciativa inovadora no mercado de energia

O EcoEnergia, um fundo de participações que se compromete a investir em projetos de geração de energia elétrica, está adotando uma estratégia inovadora para maximizar seus lucros. Através da utilização de créditos de carbono, o fundo busca incrementar sua rentabilidade, atraindo a atenção de investidores institucionais, como fundos de pensão. O objetivo é captar R$ 120 milhões para financiar entre 10 e 15 projetos, conforme explicou David Zylbersztajn, da DZ Negócios com Energia, um dos gestores da carteira.

O diferencial do EcoEnergia está na escolha de empresas não-poluentes, que, por sua vez, possuem créditos de carbono passíveis de comercialização. Segundo Zylbersztajn, o fundo foi cuidadosamente desenhado para tirar proveito das oportunidades oferecidas pelo mercado de carbono.

Impacto do Protocolo de Kyoto

A entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, prevista para 16 de fevereiro de 2005, após a adesão da Rússia, trouxe uma nova dinâmica ao mercado de carbono. O protocolo permite que países emergentes vendam créditos de carbono a países industrializados, que, assim, podem abater suas metas de redução de gases de efeito estufa. Este mecanismo tem incentivado o crescimento do mercado de carbono, que, segundo o Banco Mundial, movimentou US$ 312 milhões em 2003, representando um aumento de 250% em relação ao ano anterior.

A tendência de crescimento continuou em 2004, com o mercado girando US$ 260 milhões apenas entre janeiro e maio. No Brasil, estima-se que o mercado de carbono movimenta cerca de US$ 80 milhões, com projeções de atingir entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões nos próximos cinco a dez anos.

Perspectivas de rentabilidade

Carlos Martins, diretor da Ecoinvest, empresa especializada na negociação de créditos de carbono, destaca que a comercialização desses créditos pode aumentar a rentabilidade dos projetos de energia em até três pontos percentuais. Por exemplo, se um projeto tinha uma rentabilidade estimada de 17%, a inclusão dos créditos de carbono pode elevar esse ganho para 20%.

O EcoEnergia projeta uma rentabilidade de 15% a 18% acima do IGP-M, podendo ultrapassar os 20% com a venda de créditos de carbono. O fundo está focado em investir exclusivamente em empreendimentos que utilizem fontes renováveis, como pequenas centrais hidrelétricas, energia eólica e biogás.

Estrutura do fundo e parcerias

A gestão do EcoEnergia está nas mãos da Boa Esperança Management, responsável pela estruturação e operacionalização do fundo. A Ecoinvest lidera a coordenação da estruturação e negociação dos créditos de carbono. David Zylbersztajn, através da DZ, é encarregado da análise financeira e regulatória dos projetos, enquanto a Promon se ocupa da análise técnica.

O fundo está em fase de captação, com a expectativa de fechar a primeira tranche de R$ 50 milhões no primeiro trimestre de 2005. Os gestores estão promovendo o projeto em diversas capitais para atrair potenciais investidores.

Crescimento do mercado de créditos de carbono

Desde a decisão do parlamento russo em apoiar o Protocolo de Kyoto, o mercado internacional de créditos de carbono tem experimentado um crescimento substancial. Este aumento inclui créditos de carbono provenientes de projetos desenvolvidos no Brasil, conforme observa Carlos Martins.

Atualmente, o governo holandês, através de seus fundos de carbono, é um dos principais compradores no mercado, junto ao Fundo Protótipo de Carbono do Banco Mundial. A Holanda, por si só, representa 25% das compras de créditos de carbono no mercado global, reforçando a importância e a relevância deste mecanismo na luta contra as mudanças climáticas.

O fundo já foi desenhado para aproveitar os benefícios do mercado de carbono.

Fonte: tnsustentavel.eco.br

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